TRÊS EMPRESAS NA CORRIDA À CONSTRUÇÃO DA CENTRAL DE BIOMASSA DA CHAMUSCA

 

Água&Ambiente na Hora

São três as empresas candidatas à construção da central de biomassa que irá ficar inserida no Eco Parque do Relvão da Chamusca, no distrito de Santarém.

Das propostas em análise para a empreitada de concepção, construção, fornecimento e colocação em serviço da central, duas são de grupos empresariais espanhóis e uma de um grupo português que já construiu outra central de biomassa em Portugal.

Foi a empresa portuguesa que se apresentou ao concurso com o preço mais baixo e o prazo mais curto, posicionando-se por isso à frente das duas outras empresas espanholas também interessadas no negócio.

O projeto suscitou grande interesse no mercado, mas apesar de o caderno de encargos do concurso público internacional ter sido levantado por mais de 20 empresas, apenas cinco apresentaram propostas. Dessas cinco apenas três foram consideradas válidas.   

O director de desenvolvimento de negócio, Paulo Preto dos Santos, revelou ao Água&Ambiente na Hora, que o relatório de análise das propostas e a subsequente adjudicação da obra estão previstos para breve.

A central funcionará com recurso a uma tecnologia de combustão pouco disseminada, que não corresponde nem à tradicional caldeira de grelha, nem ao leito fluidizado, mas a um forno rotativo.

A central de biomassa residual custará cerca de nove milhões de euros. O investimento vai ser financiado em cinco milhões pelos fundos comunitários do PO SEUR (Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos).

O projeto é apoiado no âmbito do eixo prioritário "Apoiar a transição para uma economia com baixas emissões de carbono em todos os sectores".

Na categoria de intervenção "Produção e distribuição de fontes de energia renováveis" foi o primeiro projecto na área das renováveis de uma entidade privada financiado por estes fundos.

O equipamento permitirá desviar de aterro 35 mil toneladas de biomassa residual que serão canalizadas para produção de energia. A central irá receber não só a biomassa residual florestal, mas também resíduos agrícolas, provenientes de podas de vinhas, por exemplo, e resíduos verdes das podas municipais sempre que a legislação aplicável o permita.

A matéria-prima residual de central será recolhida num raio de 20 a 30 quilómetros com um custo de oito a dez euros por tonelada. O funcionamento destas centrais ajuda a reduzir as queimadas que só poluem e não produzem energia.

A central de 3MW, que deverá ficar concluída no prazo de dois anos e meio, canalizará toda a energia para injecção na rede a preço de mercado, ou seja, sem tarifa bonificada.

A central permitirá a criação de 11 postos de trabalho directos e cerca de 30 indirectos. Prevê que sejam evitadas anualmente as emissões de 7.755 toneladas de CO2 equivalente de gases com efeito de estufa. Permitirá ainda o aproveitamento de 1725 toneladas/ano de cinzas para o enriquecimento dos solos florestais com nutrientes.

CENTRAIS DOS MUNICÍPIOS EMPERRADAS

O Governo manifestou intenção de apostar nestas instalações enquanto centrais de produção de eletricidade renovável, reforçando o papel que podem ter no estímulo à limpeza da floresta.

O Secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, deu luz verde a oito centrais de biomassa, que resultavam de projetos antigos, alguns agregados.

A tutela anunciou ainda o lançamento de novas centrais sob a alçada dos municípios nas zonas mais propensas a fogos florestais, mas o processo continua parado. O novo regime foi publicado a 12 de Junho de 2017 e a regulamentação ainda não viu a luz do dia.

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